Eclesiastes 11

Livro de Eclesiastes – capítulo 11

Lança o teu pão sobre as águas, porque depois de muitos dias o acharás.
Reparte com sete, e ainda até com oito, porque não sabes que mal haverá sobre a terra.
Estando as nuvens cheias, derramam a chuva sobre a terra, e caindo a árvore para o sul, ou para o norte, no lugar em que a árvore cair ali ficará.
Quem observa o vento, nunca semeará, e o que olha para as nuvens nunca segará.
Assim como tu não sabes qual o caminho do vento, nem como se formam os ossos no ventre da mulher grávida, assim também não sabes as obras de Deus, que faz todas as coisas.
Pela manhã semeia a tua semente, e à tarde não retires a tua mão, porque tu não sabes qual prosperará, se esta, se aquela, ou se ambas serão igualmente boas.
Certamente suave é a luz, e agradável é aos olhos ver o sol.
Porém, se o homem viver muitos anos, e em todos eles se alegrar, também se deve lembrar dos dias das trevas, porque hão de ser muitos. Tudo quanto sucede é vaidade.
Alegra-te, jovem, na tua mocidade, e recreie-se o teu coração nos dias da tua mocidade, e anda pelos caminhos do teu coração, e pela vista dos teus olhos; sabe, porém, que por todas estas coisas te trará Deus a juízo.
Afasta, pois, a ira do teu coração, e remove da tua carne o mal, porque a adolescência e a juventude são vaidade.
Eclesiastes 11:1-10

 

Estudo

Versículo 1

“Lançar o pão sobre as águas” é uma expressão referente à partilha de bens com os menos afortunados. Na verdade, quem dá ao seu próximo de coração sincero agrada verdadeiramente a Deus, podendo estar certo da Sua bênção e da Sua ajuda.

Questão – o que significa a expressão “lançar o pão sobre as águas”?

 

Versículo 2

Este versículo continua a ideia do anterior. Deve dar-se conforme as possibilidades a todos os que passam por momentos difíceis. Na verdade, nunca sabemos do que iremos precisar num futuro próximo. Os que ajudam os outros serão eles mesmos auxiliados. Dever-se-á, portanto, aproveitar os tempos de felicidade e abundância para ajudar os menos afortunados.

Questão – o que se deve fazer nos tempos de abundância e felicidade?

 

Versículo 3

Algumas coisas, como as nuvens que causam tempestades ou a árvore que cai sem aviso, são totalmente imprevisíveis e incontroláveis. A vida é, de facto, um conjunto de eventos incertos. Não sabemos quando os problemas chegarão. Devemos, portanto, fazer tudo o que pudermos por aqueles que passam por momentos difíceis, e esperar com o coração cheio de fé que Deus nos preste auxílio quando necessitarmos.

Questão – que iniciativas devemos tomar face às incertezas da vida?

 

Versículo 4

A incerteza e imutabilidade do futuro não devem levar-nos a uma acomodação inativa. Aquele que espera antecipar todos os resultados das suas ações e procura planear tudo até ao mais ínfimo pormenor corre o risco de se tornar como o agricultor que deixa escapar a melhor altura do ano para o cultivo por se preocupar excessivamente com o estado do tempo.

Delicados cálculos de probabilidades gerem a vida humana, e esta não pode ser gozada sem que se corram certos riscos moderados. Não podemos assegurar que estaremos constantemente salvaguardados do fracasso; mas podemos, definitivamente, dar o nosso melhor em tudo, não deixando que as incertezas que nos cercam toldem a vontade de auto-superação.

Questão – o que pode acontecer aos que tecem demasiadas expectativas acerca do futuro?

 

Versículo 5

Neste versículo, são apresentados dois exemplos acerca da ignorância humana sobre factos naturais como análogos aos mistérios do governo moral de Deus. Os assuntos concernentes ao “sopro da vida” que insufla o homem ou ao desenvolvimento embrionário encontram-se envoltos em mistério. De modo similar, o funcionamento da Providência Divina é de árdua compreensão. Na verdade, o Criador É dono de todas as coisas, incluindo do futuro; o homem não precisa, portanto, de edificar demasiadas preocupações dentro da sua mente.

Questão – que mistérios naturais são análogos ao carácter inexplicável da Providência Divina?

 

Versículo 6

O conselho de Eclesiastes é simples: “não deixes a tua ignorância quanto ao futuro e a imperscrutabilidade dos assuntos divinos conduzirem-te à indolência e à apatia; realiza convenientemente o teu trabalho, de modo ativo e diligente”. Os dias devem ser passados em tarefas úteis, e não na ociosidade. Na verdade, o trabalho pode, na dose certa, ser uma bênção, incitando a novas virtudes e abafando certas tentações. Dedicando-se a todas as suas tarefas, o homem tem maior probabilidade de sucesso em pelo menos uma delas.

Questão – que conselho deixa Eclesiastes?

 

Versículo 7

Este versículo apela a que não nos deixemos tomar pela perplexidade face às circunstâncias desapontantes com que nos cruzamos; devemos antes confrontar todas as dificuldades com uma mente positiva, e aproveitar a vida enquanto esta dura. A “luz” é aqui mencionada como sinônimo de vida, repleta de beleza, digna verdadeiramente de ser vivida com o estado de espírito certo. “Ver o sol” significa aproveitar a vida; a “luz”, tomada como vida, é proveniente do sol.

Questão – o que significa, neste contexto, a palavra “luz”? E a expressão “ver o sol”?

 

Versículo 8

No versículo 7, Eclesiastes dissera que a vida é doce e preciosa; agora, acrescenta que o homem tem o dever de a aproveitar. É essa a vontade de Deus, quer viva ou não muitos anos. Os “dias obscuros” não são referentes aos tempos de calamidade, nem à velhice contrastada com a juventude; são antes a referência à permanência no Hades, a sepultura comum da humanidade, longe da luz e do mundo dos vivos. Os dias de escuridão neste local não nos devem roubar a esperança, mas antes incitar-nos a retirar o melhor proveito da existência, sendo alegres, gratos e dedicados a todas as tarefas que nos dizem respeito.

Tudo o que se processa após a vida escapa ao controlo humano e é como uma grande sombra, impossível de decifrar. Eclesiastes aplicara a sentença de vaidade a todas as actividades humanas, e vem finalmente aplicar o mesmo veredicto à condição dos mortos. Na verdade, foi necessário esperar pelo Novo Evangelho para que se erguesse a esperança sólida da vida eterna.

Questão – a que são referentes os “dias obscuros”?

 

Versículo 9

Eclesiastes continua a incitar ao dever do proveito racional das coisas. Ele insiste na ideia de que as bênçãos de Deus têm de ser aproveitadas desde cedo. A “adolescência” é uma época de prazer inocente; assim, os jovens devem usufruir dessa altura das suas vidas sem ansiedades concernentes ao futuro, imprevisível e incontrolável.

Eclesiastes não procura nunca defender uma perspectiva epicurista. O prazer que advoga é aquele que justamente é permitido por Deus, pelo qual o homem precisa de ficar grato. Para garantir que as suas recomendações deixam de lado o sensualismo, Eclesiastes acrescenta ao seu pensamento que Deus “pedirá conta” de todas as ações praticadas. A certeza do autor acerca da justiça de Deus face às anomalias da vida humana é tão forte que pôde apelar sem hesitações à convicção de um julgamento iminente, explicando portanto a necessidade de uma conduta regrada e recta.

Questão – que passagem nos garante que Eclesiastes não defendia os prazeres sensuais? Como chegamos a essa conclusão?

 

Versículo 10

O autor reitera o seu conselho concernente à alegria, e depois intervém para inculcar piedade precoce. O tempo da juventude passa depressa; a capacidade de usufruto da vida sem preocupações adicionais vai ficando toldada com o avançar do tempo. Com essa consciência, os jovens devem optar pelo caminho que leva a Deus pois, quanto mais cedo se associarem à adoração pura, mais probabilidades terão de se tornarem Seus servos fiéis.

Questão – que conselho é reiterado?

 

Fonte: http://estudo_biblico.blogs.sapo.pt/

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