Salmo 143

Confiança em Deus
Salmo de Davi.

Ó Senhor, ouve a minha oração, inclina os ouvidos às minhas súplicas; escuta-me segundo a tua verdade, e segundo a tua justiça.
E não entres em juízo com o teu servo, porque à tua vista não se achará justo nenhum vivente.
Pois o inimigo perseguiu a minha alma; atropelou-me até ao chão; fez-me habitar na escuridão, como aqueles que morreram há muito.
Pois que o meu espírito se angustia em mim; e o meu coração em mim está desolado.
Lembro-me dos dias antigos; considero todos os teus feitos; medito na obra das tuas mãos.
Estendo para ti as minhas mãos; a minha alma tem sede de ti, como terra sedenta. (Selá.)
Ouve-me depressa, ó Senhor; o meu espírito desmaia. Não escondas de mim a tua face, para que não seja semelhante aos que descem à cova.
Faze-me ouvir a tua benignidade pela manhã, pois em ti confio; faze-me saber o caminho que devo seguir, porque a ti levanto a minha alma.
Livra-me, ó Senhor, dos meus inimigos; fujo para ti, para me esconder.
Ensina-me a fazer a tua vontade, pois és o meu Deus. O teu Espírito é bom; guie-me por terra plana.
Vivifica-me, ó Senhor, por amor do teu nome; por amor da tua justiça, tira a minha alma da angústia.
E por tua misericórdia desarraiga os meus inimigos, e destrói a todos os que angustiam a minha alma; pois sou teu servo.
Salmos 143:1-12

143.1-12 Não julgues a mim. Neste salmo, Davi sente que precisa justificar praticamente tudo o que fala, dar os motivos pelos quais está dizendo o que diz na oração. Repare quantas vezes o salmo utiliza “pois”, “por isso”, “porque” (vs. 1-2,4,7-9,11-12, no original também no v. 3). Em que tipo de situação nós sentimos que precisamos nos justificar? Talvez quando imaginamos que Deus esteja nos julgando e nos castigando. Perante Deus, Davi mesmo diz que ninguém é inocente. É provável que ele esteja tão desesperado e deprimido por sua situação que se sente duvidando de tudo e de todos. As coisas não estão acontecendo como deveriam, e ele está ficando “sem chão”. Por isso resolveu começar a falar também para si próprio, na presença de Deus, lembrando as razões de cada coisa que diz — e assim fortalece novamente suas próprias convicções para com Deus. A primeira justificativa, “pois és fiel e bom”, e a última, “pois eu sou teu servo”, resumem bem esse exercício de autoconhecimento e conhecimento de Deus. Veja também um processo um pouco semelhante em Jo 21.15-19, notas.
143.1 responde-me, pois és fiel e bom. Como faz o salmista, precisamos constantemente nos lembrar de que Deus é fiel e bom, e é por isso que podemos orar a ele com plena confiança de que nos ouve e nos responde. Veja v. 12, nota, e o quadro “Meditando nos Salmos” (Sl 3).
143.2-4 o desespero despedaça o meu coração. Aquilo que sentimos como “inimigo” pode ser uma pessoa, um grupo, toda uma sociedade, ou mesmo nossos próprios pensamentos e tendências. Eles nos ameaçam e parecem frequentemente nos derrotar, fazendo-nos sentir em uma prisão da qual não há saída. Veja o quadro “Quem são os nossos inimigos” (Sl 17).
143.5-12 Penso em tudo o que tens feito. Em momentos de grande dificuldade e desespero, lembrar das muitas bênçãos que recebemos no passado é o primeiro passo que nos ajuda a erguer o espírito e renovar a esperança. todas as manhãs tu me fales do teu amor. O segundo passo para enfrentar o desespero é pedir que sempre, em todas as manhãs, o Pai nos fale de seu amor, e então ficar atento aos muitos sinais pelos quais ele se manifesta e nos indica o caminho a seguir, que nos libertará da situação angustiante. Deus sempre terá um caminho para nos indicar.

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