Salmo 123

Pedido de misericórdia
Canção de peregrinos.

A ti levanto os meus olhos, ó tu que habitas nos céus.
Assim como os olhos dos servos atentam para as mãos dos seus senhores, e os olhos da serva para as mãos de sua senhora, assim os nossos olhos atentam para o SENHOR nosso Deus, até que tenha piedade de nós.
Tem piedade de nós, ó Senhor, tem piedade de nós, pois estamos assaz fartos de desprezo.
A nossa alma está extremamente farta da zombaria daqueles que estão à sua vontade e do desprezo dos soberbos.
Salmos 123:1-4

123.1-4 Tem compaixão de nós. Veja Sl 120.1—134.3, nota. Um salmo de súplica e lamento de um povo que pede ajuda e providência perante uma situação de exploração e humilhação. Historicamente, o salmo pode ter sido fruto do desprezo e da dificuldade sofridos pelos israelitas no cativeiro babilônico (séc. VI a.C.), ou dos que tentavam reconstruir Jerusalém depois do retorno (520 a 440 a.C.), mas foi propositalmente deixado sem datação, pois é válido para toda situação de opressão social.
123.1-2 levanto os olhos a ti. O salmo começa com uma prece pessoal, mas que fala por toda a comunidade. Nela se contrasta a posição corporal do salmista — que levanta os olhos ao céu para falar com Deus — e a dos servos, que baixam a cabeça e olham para as mãos de seu senhor com temor e desconfiança (a tradução mais literal diz: “Como os olhos dos servos estão fitos nas mãos dos seus senhores”). Os olhares são reveladores. O salmista se sente em liberdade para erguer a cabeça e olhar para Deus, porque se sente uma pessoa digna. Enquanto isso os servos sentem insegurança, e só olham para as mãos de seus patrões, temerosos de que a resposta seja de mais maus tratos.
123.3-4 somos sempre desprezados pelos ricos. A oração do salmista e dos servos é a mesma, uma oração conjunta e solidária. Um lamento e súplica dirigidos ao Senhor, que clama por sua compaixão, misericórdia e justiça, perante uma situação de desigualdade e injustiça em que a maioria vive. Não se respeita a dignidade da pessoa, não há condições adequadas para o trabalho e para viver, e o pagamento — se é que há algum — é mínimo. A isso se acrescentam maus tratos físicos e emocionais: trapaças, insultos, enganos, desprezo e ofensas. Esta oração é legítima, e o povo pode confiar que será ouvido porque confia no amor preferencial de Deus pelos pobres, pelos que são afligidos e desvalorizados. Este exemplo de nosso Deus nos apresenta o desafio de amar, de ter compaixão e generosidade para com o que não tem posses, e de ser solidário na luta por seus direitos.

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